domingo, 14 de setembro de 2008

Ancorado ou atracado

 

 

Mesmo sem fazer comparação  entre as modalidades regata ou cruzeiro, tenho observado que no meio náutico cruzeirista, existem tipos diferentes de tripulantes.

Há aqueles que são o que chamo de ancorado, na maioria das vezes procuram um lugar abrigado e sossegado para jogar âncora, gostam de estar a bordo, não sentem a necessidade de desembarcar imediatamente após a manobra de ancoragem, e as vezes ficam dias sem por os pés em terra firme, basta ter uma boa água pra nadar e se refrescar.

Já os que preferem ficar atracados a um pier, adoram gente, movimento e precisam por os pés na terra exatamente um minuto após ter amarrado a última amarra do barco; ou mesmo quando não há pier e a opção é ficar ancorado, a segunda coisa que fazem depois de ancorar é pegar o bote e ir pra praia, gostam de caminhar, explorar tudo em volta e geralmente em poucas horas já conhecem tudo e se entediam com o lugar, tem sempre que buscar novos estímulos, outras praias, vilas ou coisas extremamente interessantes para fazer.

Mas confesso que tanto eu como a maioria das pessoas que conheço oscilam entre essas duas modalidades, dependendo do dia, do humor, coisas da natureza humana.

E finalmente há aqueles que se não desembarcam todo dia, não pisem em terra, se sentem presos, em cárcere privado, ficam de péssimo humor e insuportáveis, ai sim começam a trazer problemas para o convívio a bordo.

Se temos um tipo desse como hospede ou tripulante é melhor delegar funções externas, como buscar água, fazer compras, levar o lixo para terra, embora ele faça cara 'de sempre sobra pra mim' no fundo ele ficará agradecido de desembarcar mesmo que por pouco tempo, e pra quem fica a bordo também é muito bom por que alivia as tensões.

Tudo isso que estou falando não é julgando um modo ou outro como certo ou errado é só identificando as pessoas que vejo ou convivo nos meus trabalhos e viagens embarcadas, mais uma forma de aprender a lidar com as diferenças e fazer o clima a bordo mais agradável e tranqüilo.

E temos ainda o tipo que sabe tudo, tem opinião sobre tudo e... deixa pra lá isso vai render muito assunto, muitas linhas e algumas auto-críticas; e naturalmente um novo texto é claro.

Bons ventos

Christina Amaral

Setembro de 2008, Ereikoyssa, Grécia

Ainda no mesmo tema o texto 

Permissão para embarcar

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