quinta-feira, 14 de abril de 2005

Amarras

 

i4-Vieste-caverna-002

 

A lembrança é um barbante.
Uma ponta amarrada no começo da história,
Outra, em nosso tornozelo.
Se o fio estica muito, mal dá para continuar.
É a linha da memória que vai ficando puída,
a da lembrança, não.
Feita de fibra grossa,
Não afrouxa até que um anjo venha desatá-la
E a transforme numa corredeira de estrelas.
E quanto mais a corredeira for comprida,
Tanto mais rica há de ter sido a vida.

Flora Figueiredo

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